BEIJO GAY!

Depois ler excelentes textos do blog sindromemm, mais específico o deste link , que discute a polêmica clichê do beijo gay na televisão, me lembrei do primeiro beijo “gay” que vi na vida…

O filme era “O Orfeu” de 1999 e lembro de tê-lo assistido na globo, e o beijo nem era tão gay assim, porque não representava exatamente uma demonstração de afeto e sim uma artimanha do mocinho pra matar o “vilão”.

Devo ter assistido o filme com uns 13 anos e lembro que automaticamente depois de ter visto esta cena um certo desconforto, de fato, eu senti: como assim, um homem beijando outro?!

Aquilo era tudo muito novo, aquela imagem eu ainda não tinha visto. Não sei nem precisar se o conceito de gay e homossexualismo existia tão claramente como existe hoje. Era um assunto muito obscuro.

Na hora eu continuei assistindo o filme e matutando naquilo e de repente a áurea da obra de arte começou a ser revelada e fiquei pensando em como os atores tomavam decisões difíceis em interpretar um papel, em como as ações do personagens podiam repercutir em suas vidas, porque achei que depois daquela cena, nenhuma mulher quisesse casar/namorar com os caras (típico raciocínio infantil de época que hoje a gente se envergonha KKKKK tipo o cabelo colorido da adoslescência).

O filme ainda me proporcionou outra experiência; a mãe de Orfeu, tomada por um ódio visceral ao descobrir que o filho enloqueceu - literalmente - de amores pela mocinha, profere os seguintes dizeres: Deus de merda!!! Pra mim que fazia catequese na época aquela foi uma cena muito iconoclasta rsrsrs

Diante disso tudo, e pra não se prolongar muito nesse assunto que eu considero bobo eu vou ser breve:

A globo e essas outras emissoras mercantis, e não a televisão brasileira, estão LOOOOONGE, mas muito longe de querer oferecer educação e alguma experiência estética à população. Por isso, acho uma idiotice completa a comunidade gay e etc em ficar discutindo a questão do beijo gay na telinha. Este símbolo que eles tanto querem, pra mim já aconteceu ha muito tempo na televisão, no programa Fica comigo da Fernanda Lima na mtv, o resto é discussão idiota e perda de tempo. E nem vamos falar deste cenário no cinema, que Bergmans e Godards choram sangue quando ouvem comparar o campo de seus ofícios com a televisão.

Mas pra este texto não soar contraditório, do tipo, “você diz que a discussão a cerca deste beijo é idiota, mas este texto a esta discutindo haha”, eu digo que depois de ler o texto do blog citado só gostaria de corrobar, que a mim, parece que aqueles que tanto reivindicam seus direitos e aceitação e cobram dos outros esta postura, não percebem que são eles mesmo balaustres de um raciocínio que lhes excluí. Pra ser mais claro: eu percebo que em grande parte, são os próprios gays que sustentam preconceitos homofóbicos ao acharem que PRECISAM se afirmar como gays. Neste afirmar, que não julgo ser intrínseco a assumir a orientação sexual - que por sua vez é uma escolha individual de cada um seja hétero, homo, bi, etc - acabam adotando artificialmente o esteriótipo que lhes condena.

É isso!

link do filme


Meio-dia. Horário do almoço. Verdade é que já era quase 13hr, pois a falta de vontade de acompanhar os colegas ao baratinho, fez com que passasse alguns minutos além do costume. Baratinho… taí uma coisa que ele não entendia; qual o sentido de tanto esforço físico diário pra que aquela uma hora de alívio fosse gasta no baratinho? Rumou para o melhor – e não necessariamente o mais caro - quilo da região.

No caminho avistou a motivação destes versos: a antogônica cena da menina maltrapilha sentada na calçada com seu pequeno irmão no colo ao lado dos infindáveis transeuntes bem vestidos e comportados, indiferentes àqueles.

De perto, ele percebeu que o negro rosto do menino exibia um lindo sorriso e se contagiou imediatamente deixando em sintonia àquela expressão o seu semblante, que até então demonstrava lamento a mão estendida da irmã do menino.

Comendo, pensou no que poderia ser feito para que cenas como essas não existissem mais… no que estava ao seu alcance para mudar por definitivo aquela situação, diferente das diversas filantropias paliativas que vê constantemente se proporem. Arriscou uma resposta.

Ao sair do restaurante, imaginou que talvez aqueles dois já não estivessem na calçada, uma vez que a polícia já tivesse feito seu trabalho e limpado o caminho para que os transeuntes pudessem voltar aos seus postos sem muitos desvios emocionais em pleno meio da semana, como de costume. Mas os dois ainda estavam lá. E Dessa vez, ele se concentrou apenas em olhar o que julgou ter força de realmente mudar aquela situação. O sorriso do menino! Que ainda estava lá.


O dilema do sapato

X: affe, nem vou ver esses vídeos
eu:  meo, é PURA expressão da cultura brasileira KKKK
X:  Dj malboro é cultura
eu:  no sábado tava discutindo isso com um cara que faz mestrado no mit, NO EM AI TI!!!!
X:  quedradinhod e 8 é plena expressão da putaria
X:  e isso tem no mundo todo
eu:  DJ Malbora, X?! PERAMOR
X:  Malboroé
que fala dos morros
da vida nas quebradas
se quiser cultura sexual
compra o cama sultra
eu:  seguindo esse argumento prefiro criolo e racionais
acho mais verossímil
X:  eu ia citar o criolo, mas estamos falando de funk carioca
eu:  malboro é um playboy que mora na favela porque lhe convem e fica ganhando dinheiro lançando os favelado no showbusiness
X:  as pessoas que você citou não fogem do showbusiness
eu:  sim, MAS tem uma expressão mais verossímil
e por isso chegaram lá

eu:  tipo, QUE INTELECTO você pode esperar de pessoas que vivem a riguelia de qualquer acesso a educação, saúde, lazer, alimentação e etc?!

NENHUM
assim, a condição humanda é reduzida a instintos básicos: REPRODUÇÃO
por isso o funk é tão putaria
arte é expressão
seja de pensamento ou de instintos
nesse caso, são poucos os funkeiros que “conseguem” fazer uma crítica social
e ao invés de julgar e dizer que isso não é música, que fere a moral e os bons constumes, eu dou risada dos erros de português, das rimas medíocres, da letra imoral e da coreografia pornográfica… me diverte porque eu não posso esperar isso de nenhum Chico Buarque

X:  ta

DESCRIPTION

é designer e acredita mais na arte do que na técnica. Vive atormentado pelas dúvidas deste mundo e sonha com o dia que os proletários vistam gucci para ir ao trabalho. Hedonista, leva até as últimas consequências seu direito de rir e gozar da vida. Acha possível mudar o mundo, e tenta levar a vida adulta com a mesma seriedade que tinha na infância quando brincava de lego.


Inês brasil super pop

Ela, mais uma vez ela volta a aparecer… Confesso que pensei que ela seria mais um desses fogos de palha, como se costuma dizer na linguagem popular, ou que sintetizasse um fenômeno cultural dos tempos líquidos, para os mais eruditos. O que quero dizer é que inês Brasil voltou a brilhar!

Escrevo essas linhas com um certo atraso em relação a sua aparição no famigerado Superpop, o programa típico da televisão brasileira: … - acho que não preciso elencar adjetivos para descrevê-lo e deixo para o leitor esta árdua tarefa. Mas me arrisco a dizer que no meio de tanta ignorância, burrice e vulgaridade Inês conseguiu se manter a parte e mostrou que não pertence ao grupo de pessoas que a entrevistaram e que se enquadram nas características citadas.

Ficou surpreso? vamos aos fatos; começar falando da pequena conversa com Luciana ‘Dimenes’ em alemão. “Como assim, ela fala alemão?” lia-se na cara das convidadas horrorizadas que mais pareciam bonecas infláveis orgânicas de nossos tempos, todas com suas próteses de silicone MENORES que a de Inês, com cabelos esmerosamente naturais, com o imc levemente alterado devido à quantidade de maquiagem no rosto e com currículos peculiares: uma médica ex bbb com pudores em relação a exageros, uma professora de matemática loura boazuda com problemas de interpretação de texto e uma mulher que esta sempre ali, que vagamente me lembra uma história de separação com um cantor de sertanejo, ou forró… Não sei, mas voltando ao que importa, Sim, Inês sabe conversar na lingua mãe de metade dos filósofos notáveis de todos os tempos e vocês, ignorantes que julgam uma pessoa pela aparência, lidem com isso.

Depois, falar das tão clichês armas dos que se dizem normais e corretos para [tentar] humilhar os de menor conhecimento ao explorar um “erro” de pronúncia em língua estrangeira, coisa tão corriqueira no Brasil, pois 80% da população fala duas línguas frequentemente quando opta em adotar expressões importadas como forma de distinção social. Winehouse, Whitney Houston, Micky Jegger etc foram os seus argumentos. Eu, em contrapartida, acho impressionante e interessantíssimo Inês levar cultura e conhecimento em horário nobre sobre a situação da Alemanha Oriental antes da queda do muro de Berlim, ou sobre o que acontecia nos saldosos sambas do Sargenteli e as situações que são levadas a se submeter pessoas que muitas vezes não tem o que comer em nosso país. De fato, para os burros, e não ignorantes, pois agora torna-se uma escolha ignorar os fatos e não apenas não o conhecê-los, é muito mais divertido rir de trivialidades do que aprender com o que o outro pode nos ensinar. Sem contar que assumir seus limites e pedir ajuda em suas fraquezas, como fez a dançarina ao ser pedida mais uma vez para dizer o sobrenome Winehouse, é uma das atitudes mais inteligentes que já se viu naquele programa.

Por último, falemos das saias justas que Inês fez passar aqueles que parecem não ter vergonha de si próprios. Jura mesmo que você acha tão impressionante assim que a minha língua seja fora do normal, quando você foi a ex-modelo que engravidou de um rockstar, tem fama de burra e um emprego de destaque na empresa do marido? Jura mesmo que você considera a prostituição e uma postura feminina desrecatada tão chocante assim depois do que o feminismo nos mostrou? Para você, três coisas: preservativo para se cuidar e uma boa calça jeans pra não mostrar, dicas da Inês. E a terceira, por minha conta, constrangimento para você, Luciana, se mancar!

Eu poderia falar mais sobre o vídeo da entrevista no superpop, mas já tomei muito tempo do leitor e fiz minha defesa! Ao que parece, Inês Brasil ainda tem muito a ensinar àqueles que parecem saber de tudo, que defendem os valores essenciais e que amam a Deus sob todas as coisas. A forma com que a cantora e dançarina consegue romper com os padrões morais e intelectuais já me fazem creditá-la como uma verdadeira artista, com certeza, mais instigante do que esses dos programas dominicais. E para ir mais longe, pego emprestado os conceitos do movimento antropofágico proposto por Oswald de Andrade para definir a cultura brasileira e aplico na artista: em meio a situações de julgamento preconceituosas, com intenções reducionistas, devemos seguir nosso caminho, sem ter vergonha de nossos valores e história, com nosso sorriso no rosto e sambando na cara de nossos detratores. Aleluia e graças a Deus!


Link do vídeo

http://m.youtube.com/#/watch?v=-EvVjLDpSzk&desktop_uri=%2Fwatch%3Fv%3D-EvVjLDpSzk&gl=BR